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Policial
28/01/2007 :: Tragédia difícil de esquecer
Fonte: Paraná Online
Há 12 anos, o litoral do Paraná parava para acompanhar a tragédia que se abateu sobre a cidade de Guaratuba. Era sábado, 28 de janeiro de 1995, pouco mais de 10h da manhã, quando o Edifício Atlântico, construído a menos de um ano, desabou, matando 29 pessoas e dilacerando a vida de várias famílias. Bombeiros e voluntários vasculharam por mais de 30 horas a montanha de escombros à procura das vítimas. Hoje, a cidade segue sua rotina, mas o terreno vazio ainda continua lá, como uma cicatriz, e não deixa ninguém esquecer o sofrimento daquele dia.

Às vésperas do Natal de 1994, o síndico Alcyon Pires Gomes Júnior levou ao edifício um profissional para pintar a garagem. Quando chegou lá, o zelador disse que durante a noite eles tinham ouvido um barulho forte e as portas e janelas do apartamento construído no térreo não abriam mais, também havia rachaduras. Eles entraram em contato com o engenheiro que construiu a obra, Ney Batista Torres, pedindo providências. Neste meio tempo, também chamaram um técnico para fazer uma avaliação. Julgou-se que o dano era só no apartamento do zelador, mas foi sugerido que fosse feito um estudo mais detalhado da parte de fundação do prédio.

O engenheiro, que estava no exterior, informou que ia fazer os reparos necessários, mas achou melhor esperar que a temporada terminasse para não atrapalhar os moradores. Uma semana antes do acidente, novos barulhos foram ouvidos no prédio, que apresentou rachaduras. Portas e janelas não abriam e nem o elevador funcionava. Os moradores pediram medidas urgentes. Alcyon diz que o engenheiro foi até o local, mas parecia que ele não tinha o “know-how” suficiente para resolver o problema. Em assembléia, os proprietários decidiram contratar uma empresa especializada, a Construtora Cambuí, para orientar o trabalho.

O síndico lembra que a construtora não recomendou a retirada dos moradores, no entanto, afirma que o engenheiro não seguiu à risca o que havia sido determinado. “Era para consertar todos os pilares, um por um, e não podia parar. Mas ele fez alguns e depois foi embora”, conta. As obras começaram na sexta-feira, foram interrompidas durante à noite, e a tragédia aconteceu no sábado pela manhã quando os operários estavam na obra.

Alcyon diz que ninguém achava que o prédio ia ruir. No dia do acidente, os moradores evacuaram uma área com cinco apartamentos porque pensavam que ali haveria riscos de uma parede desabar, mas não que o prédio fosse desmoronar. Uma das famílias preferiu permanecer no local e todos morreram. “Eu chamei o meu amigo para dar uma olhada nas vigas, quando ele viu que a situação era séria resolveu chamar a família. Aí começaram os estalos das vigas, ele foi interfonar e não voltou mais”, diz.

O sindico diz que foi tudo muito rápido. Ele ouviu as vigas e colunas estourando e saiu correndo junto com os trabalhadores. Algumas pessoas que estavam dentro do prédio conseguiram sair a tempo, como a mulher do síndico. Na fuga, alguns moradores foram atingidos por estilhaços. Em poucos minutos, tudo estava no chão e uma imensa nuvem de pó se ergueu. “Foi um momento surreal. Você não acreditava que aquilo estivesse acontecendo. Não se via nada na frente. Só pessoas gritando, procurando umas as outras”, conta.

A tragédia foi tão grande que um grupo de 12 proprietários resolveu se reunir e pedir apenas a indenização pelos apartamentos, pois nada que o engenheiro fizesse poderia fazer a dor que cada um estava sentindo passar. “Fizemos um mau acordo, mas queríamos encerrar o assunto”, comenta Alcyone. Eles receberam R$ 307 mil em imóveis, foram vendendo os bens e dividindo o dinheiro. Mas restam duas lojas que o grupo ainda não conseguiu se desfazer.

O sindico diz que não queria que o engenheiro fosse preso, como realmente não foi. “O Ney não achava que o prédio fosse cair. Tanto é que ele perdeu dois netos e uma nora lá. Ele já foi punido”, comenta.

O terreno onde existia o Edifício Atlântico ainda continua lá. Agora o mato toma conta do local e algumas pessoas aproveitam para jogar lixo. Os antigos moradores queriam que a Prefeitura comprasse o lote e fizesse um equipamento público. “Ainda é uma cicatriz que está lá, um objeto de curiosidade pública. Poderia ser construído um centro de atendimento às pessoas carentes para apagar esta marca”, afirma.

Esforço no resgate das vítimas

O trabalho de resgate durou mais de 30 horas e o comandante do Corpo de Bombeiros do Paraná, coronel Almir Porcides Júnior, trabalhou em 28 delas. Ele diz que nunca tinha visto uma tragédia tão grande como aquela. A montanha de escombros que tinha virado o edifício de 16 apartamentos passava de cinco metros de altura e os gemidos e pedidos de socorro eram possíveis de serem ouvidos.

Bombeiros e voluntários foram organizados em grupos e, num trabalho de “formiguinha”, foram retirando os destroços com a mão, enxadas e pás. Um dos salvamentos mais difíceis foi o de uma mulher que ficou mais de 10 horas soterrada. Foi feito uma espécie de túnel para retirá-la e, como havia risco de desabamento, foram colocadas escoras. “Só aparecia o rosto dela. Fomos conversando e minimizando a dor”, lembra. A mulher foi resgatada com apenas um corte no pé.

De 10 em 10 minutos também eram feitos momentos de silêncio para que as vítimas pudessem ser ouvidas. O coronel lembra com tristeza que havia crianças soterradas. Quando iniciaram as buscas, era possível ouvir o choro e gemido de uma delas pedindo ajuda, mas com o passar das horas a voz foi ficando cada vez mais fraca e sumiu. “Foi o trabalho de salvamento mais difícil. Marcou muito”, recorda. Nele atuaram mais de cem bombeiros e a vizinhança colaborou. Oito pessoas foram retiradas dos escombros com vida.

Engenheiro foi denunciado pelo MP

O engenheiro Ney Batista Torres foi denunciado pelo Ministério Público (MP) por homicídio culposo, sem a intenção de matar. Mas ele não chegou a ser julgado porque a lei 9.099, que entrou em vigor naquele ano, permitia a suspensão do processo desde que fosse feito um acordo com as vítimas, o que acabou ocorrendo um ano depois do acidente. Michel Saliba, parente de onze vítimas, recorda da tragédia e diz que não gostou da forma como o caso foi encerrado.

Saliba, que também é advogado, diz que o MP deveria ter denunciado o engenheiro por homicídio doloso, com intenção de matar, pois ele assumiu o risco de uma reforma sem evacuar o prédio. A família tentou mudar a denúncia, mas o pedido foi negado. Saliba diz ainda que houve um concurso de crimes resultantes da mesma ação, ou seja, muitas pessoas foram prejudicadas de várias formas e, neste caso, a pena mínima prevista é de um ano e dois meses, escapando dos benefícios da lei 9.099, que permite acordo somente para casos com pena mínima de um ano ou menos.

Para o advogado, o engenheiro também poderia ter sido processado por desabamento de prédio. No entanto, diz que a família desistiu de lutar porque estava muito abalada emocionalmente. Um dos sobrinhos ficou sozinho, perdeu pais e irmãos e precisava de apoio. “Ou a gente vivia e cuidava do meu sobrinho ou atendia ao processo. A nossa vida se divide em dois momentos: antes e depois do desabamento em Guaratuba”, diz. Em 2002, familiares de outras vítimas tentaram reabrir o caso, mas não conseguiram.
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